segunda-feira, 23 de março de 2020

Paca tatu, lagarto? Não.

Essa é uma daquelas histórias que mais parece inventada, uma das muitas que passei ao lado do meu pai, o Paca, o mentor que tive, exímio professor de vida.

Eram tempos difíceis para nossa família, eu era muito jovem, talvez os tempos fossem piores ou melhores, fato é que sempre fomos blindados, um caso de pais heróis defendendo os filhos da realidade. Não tínhamos carro, talvez nem bicicleta, mas tínhamos saúde e vontade. Era uma tarde de calor, provavelmente um janeiro quente e ensolarado, todo caiçara verdadeiro já imaginou, calor, verão, caboclo faz o que? Vamos matar um peixe na barra? Perguntou meu pai com a voz que eu ainda ouço em minha memória, de pronto, aceitei, garrei o cesto, eu era o gajeiro daquele que era o melhor tarrafeador que conheci.
A malha 05 a tira colo, partimos, a pé, ele sem camisa, uma regata apoiada no ombro e a tarrafa no outro, chinelo de dedo e um sorriso no rosto.
Caminhamos ladeado ao local chamado por nós de fetiep, uma grande área de terra, cercada por um muro de palitos de concreto.
Na metade do caminho, de longe avistei o maior lagarto que já vi na vida, deitado na beira da estrada de terra, tomando sol calmamente, obviamente, me desculpem mas é sabido que nos meses quentes, carne de lagarto complementa a dieta do caboclo. Com a mão, o pai fez um gesto pedindo silêncio, apontou a direção para onde deveria ir, ao mesmo tempo, ele caminhava em direção ao animal.
Passo por passo, nos aproximamos sem que o animal demonstra-se qualquer receio, então, meu pai se aproxima mais, ao mesmo tempo em apanhava um toco seco a fim de capturar o animal.
Mas, a fera toma ciência da nossa intenção, fica em pé, parece história de pescador, mas um lagarto em pé, meu pai deu um salto para trás, ao mesmo tempo que o animal volta a sua posição normal, ataca com boas rabadas, nos afastando mais e mais.
O animal se retira triunfante, mostrando a língua parecendo se divertir com aquilo , enquanto olhamos uma ao outro com perplexidade, só então o meu pai cai na gargalhada e sorrindo me fala, filho, melhor a gente não contar essa história em casa, vão tirar sarro da gente.
E fomos a pescaria, muitos robalos e paratis foram apanhados, voltamos pra casa e enquanto eu me banhava, meu pai contou pra todos em casa que eu tinha tomado uma coça de um minúsculo lagarto. Esse foi o cara, esse é o cara. Esse é o Paca.


quarta-feira, 4 de março de 2020

Em terra de sapo, rã é perereca!

#Pacamatinhos 🥰
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Essa história é verdadeira, tive o prazer de vivê-la e hoje com o coração cheio de saudade resolvi contar a vocês.
Era meados dos anos 90, Matinhos começando a dar sinais de um progresso eminente, aos poucos as ruas iam aparecendo, a muito não se conhecia todo mundo que se via na rua e o ar de cidade do interior ia se perdendo.
Marcos Tavares, ou melhor, o Paca, morava com sua família no bairro do Rio da onça, um bairro familiar, uma vez que um terço das casas eram ocupados por familiares, a casa era de madeira, um quintal espaçoso, um galinheiro cheio de galinha Índia, um viveiro, nos fundos um enorme pé de aroeira que sempre que dava frutos, era a alegria da passarada.

Por intermédio de seu irmão, Pedro, Paca entra em contato com um senhor morador do sertão, e o mesmo dizia ter em sua propriedade uma extensa criação de rãs e estaria disposto a doar alguns filhotes, ou melhor, girinos para iniciar uma criação.
Ávido por melhorar a situação financeira, começar um negócio próprio e principalmente tomado pelo gosto peculiar que muitos Matinhenses têm, Paca inicia um projeto, com pouco dinheiro e muita vontade, uma banheira velha, máquinas de lavar usadas e outros recipientes, uma centena de girinos de rãs e estava feita a criação.
O zelo é cuidado com aquela criação eram impressionantes, todos os dias verificando, cuidando da água e observando minuto a minuto, esperando a transformação daqueles girinos em filhotes de rãs.
Certo dia, levantamos cedo, um bom tempo de trabalho, cuidados e espera, acordamos cedo, era hora de ver enfim os frutos, os recipientes tampados, nosso Paca abriu a tampa e não conteve um palavrão quando percebeu que os girinos haviam se transformados em uma centena de pererecas grudadas nas paredes.
Passado o estresse inicial, rimos muito da situação, naquela manhã, nossas galinhas tiveram uma gorda refeição a base de filhotes de rãs fakes haha.
#pacamatinhos #matinhosdopaca #familiapacamatinhos