domingo, 11 de junho de 2023

VAI PRA FORA VEM CÁ!

 Essa é uma daquelas anedotas que você ouve a vida inteira, e a cada vez, você ri, muitas vezes genuinamente por ser de fato engraçada, algumas  vezes para alegrar aquele que a contou, neste caso, ainda povoa minha mente o meu pai me contando e arrancando risos de todos que ouviam.

dizia que quando criança, na casa dos Tavares,  um cachorrinha era o xodó das crianças, que o batizaram com um nome um tanto peculiar, talvez já antecipando situações engraçadas, ou apenas pela simplicidade da imaginação infantil.

o animal era chamado de Vem cá, era um tal de vem cá pra cá, vem cá pra lá, era a alegria da casa e daqueles que ali vivam. 

Menos um, nosso saudoso Vô Nelson, um tipico matinhense da gema, durão como poucos, mas bondoso na medida do possivel, não gostava que animal algum frequentasse a casa, antigamente, era até comum, diferente dos dias de hoje em que os bichos tem quarto, roupa e sobrenome.

Então, diz que num dia, em que todos estavam almoçando numa grande mesa no centro da casa, quando, o cachorro sorrateiramente entra porta adentro e começa a fuçar os pés de todos em busca de um pedaço de comida.

Ao tocar o pé do Velho Nelson, o animal arranca uma exclamação negativa do chefe da família, que de imediato fala:

Vá pra fora, Vem cá!

Acostumado com os dizeres da familia, o animal foi até a porta, e ao ouvir o “Vem cá’, da meia volta em direção ao homem.

Todos se entreolha, Nelson cada vez mais irritado fala mais uma vez “Vai pra fora, Vem cá”, novamente, o cão vai até a porta e volta, clima tenso, o homem já com as pestanas tremendo esbraveja novamente:

VÁ PRA FORA, VEM CÁ!

E o mesmo acontece, nisso, toda a familia, não aguentando mais a situação, cai em uma gargalhada coletiva, divertindo-se com a situação.

Conta meu pai que meu avô não aguentou e também gargalhou alegremente, cedendo aos encantos do mascote da familia.



quarta-feira, 24 de maio de 2023

A Saga da Caetana!

 

A Saga da Caetana

Quando de boca em boca as historias são contadas, ao pé do fogo, na quentura do fogão a lenha, elas se tornam mais que historias, com o passar dos anos, elas tomam corpo e forma de lendas, todo povo tem as lendas passadas de pai para filho e assim seguidamente. Contam os mais antigos que quando em Matinhos tudo ainda era mato, quando tudo ainda era verde, o mar era para pesca e os rios pra matar a sede das pessoas, que pras bandas de Caiobá, morava uma professora de nome Caetana, que vinha todos os dias dar aula onde hoje é o centro de Matinhos, para sua locomoção, se utilizava de um cavalo, não muito veloz nem muito forte, mas que atendia aos anseios da jovem professora, levando e a trazendo nas aulas diárias. Era meados de 1900, a cidade como a conhecemos hoje nem passava na mente dos moradores, não havia estradas regulares, os trajetos eram feitos a beira mar e quando muito, por pequenos caminhos traçados pelo uso diário do caboclo.
Dona Caetana como era conhecida dentre todos, fazia esse trajeto diário, quase sempre solitária, uma vez que o único perigo que se tinha de morte violenta era cair do cavalo ou mesmo se afogar no mar, dessa forma, dia após dia, Professora Caetana montada em seu cavalo e com seu material a tira colo, ia e vinha de Matinhos com a naturalidade de que vai ao mercado comprar pão.
Numa dessas vindas, dona Caetana já chegava perto da sua casa, pelo avançar da hora deveria ser umas 8 da noite, o céu estrelado e quente, mostravam que o verão já estava a porta tomando lugar de mais um frio inverno que se passara.
Havia ali um riacho, onde vez ou outra dona Caetana parava para dar de beber o animal, sedento devido ao longo percurso e a noite quente que fazia, então ao se aproximar das águas puras do riacho, o cavalo para de imediato como que assombrado, dona Caetana ainda esporeia o animal que não sai do lugar, mau dizendo o animal, que mantinha pernas presas ao chão como que encantado, nesse instante, como que brotada da terra, uma onça da o bote no cavalo jogando Caetana longe, com a queda ela fica jogada ao chão como se a queda lhe tivesse tirado a vida.
A onça, querendo se aproveitar da ocasião, se lança na direção de dona Caetana que se tornara presa fácil ao animal em busca de alimento, quando estava a um passo da vitima, o cavalo, fiel companheiro se lança contra o animal num gesto heróico para salvar sua dona, dizem que o relincho do cavalo era semelhante a uma voz humana que no momento de medo e pavor gritava o nome da sua dona, “Caetana, Caetana”.
Ouvindo aqueles berros a onça de imediato sai em disparada, sem ao menos olhar para trás, deixando atrás de si um rastro de folhas e galhos erguidos com a sua fuga.
Dona Caetana, recobra os sentidos e não vendo mais a onça, monta em seu protetor e parte rumo a sua casa.
Dizem que Caetana no dialeto dos animais significa onça, e que para os caçadores Caetana também é onça, então, ao ouvir alguém gritar “Caetana” a onça se afastava, pois temia o assedio dos caçadores, e que foi isso que aconteceu, mas cavalo não fala, isso todos se perguntam ainda hoje, bem, como um milagre de Deus, dizem os mais crentes, que foi Deus que deu o poder da fala para que o animal pudesse falar, e salvar a vida da sua dona.
Pode ser que isso nem tenha realmente acontecido, que o cavalo assustado tenha derrubado sua dona, que não houvesse onça, nem perigo algum, mas o que torna a historia uma lenda é o fato de fascinar as pessoas com a facilidade que se fascina uma criança pelo brinquedo novo.
Já se passaram mais de 100 anos desde o fato com Dona Caetana, historia que foi passada de boca em boca, que foi passada de geração em geração, que se torna a cada vez que é falada, uma lenda ainda mais forte e presente na vida das pessoas, no coração dos Matinhenses.
Dizem que em certas noites de verão, quando se silencia o barulho dos carros, se ficar quietinho, só ouvindo, ainda pode-se ouvir a onça correndo desvairada, o cavalo que ainda sussurra em meio ao choro do mar, CAETANA, CAETANA!