Historia de Matinhos contada por um matinhense
Lendas são historias verdadeiras que tomaram forma mística, que não são mais parte da realidade, se incorporam ao que mais desejamos e queremos reviver, lendas são nossa mente querendo dar nome a magia das historias de nosso povo.
Contam os mais antigos que em meados de 1940 mais ou menos, uma professora de nome Diva Luiza Bardelli, ia e vinha na sua lida diária de dar aula, tendo por companhia seu único filho na época e Deus, coisa fácil e simples deveras, não fosse a distancia percorrida pela batalhadora professora.
Professora Diva morava onde é hoje o centro de Matinhos, e dava aula la pras bandas do cambará, ou seja, mais de horas de caminhada para cumprir com suas obrigações de educadora, nãos se queixava e ainda contam alguns ex alunos tamanha era a alegria da professora, tamanha era a felicidade com que tratava seus alunos, uma verdadeira mãe.
Nos dias de pagamento sua sina se tornava ainda mais penosa, Matinhos ainda pertencia a Paranaguá e para retirar seu pagamento andava até a cidade vizinha com seu filho no colo para poder receber o que ajudaria no sustento de sua amada família, vez ou outra pegava carona nos caminhões que eram usados para transporte de madeira que ali eram retiradas, mas quase sempre era a pé que fazia esse trajeto.
Contava a própria aos filhos de uma passagem que ainda povoa minha mente, dizia que num dia muito frio, quando ela ainda estava na estrada rudimentar, algo chama sua atenção ao mexer no mato como que para chamar sua atenção, curiosa que só, dona Diva resolve ver o que tinha ali, porem ao olhar onde vira o mato se mexer, não vê nada, e sem dar atenção, resolve continuar sua caminhada.
Mais adiante, dona Diva ouve novamente o bagunçar no mato, de novo, vai ver e nada havia, encafifada ainda vasculha os arredores mas não encontra nem vestígio.
E como de costume, tendo seu filho a tira colo continua sua marcha, num tanto do trajeto onde a estrada fazia um desvio pra dois caminhos secundários, Professora Diva vê a beira da estrada uma moita se agitar, e quando, desconfiada se aproxima, vê pular dela um tatu que sai em disparada se afastando da professora, que atendendo aos extintos Matinhenses, começa perseguir o animal por um dos caminhos, o animal sem sair da pequena estrada parecia olhar pra traz vez ou outra como que quisesse que a mulher o seguisse.
E assim foi, Dona Diva já não sabia mais porque seguia o animal, pois a noite começava a cair e o caminho tomado por ela atrasava sua andança em mais de meia hora, já que descia pelo que todos chamavam de brejo, mas algo não deixava desistir, talvez aquele seria o alimento da sua família, eram tempos difíceis, e para um bom Matinhense uma carne de tatu não podia ser dispensada.
A noite já caíra por completo, dona Diva agora avistava as fracas luzes da cidade, fracamente iluminada por velas e lampiões e na estrada próxima a sua casa, uma espécie de romaria e com mulheres e homens agitados.
Nisso o tatu, causador do seu atraso, olha uma ultima vez para dona Diva e como que por encanto, desaparece no ar, deixando a professora espantada e clamando por Deus, daquela forma que só os mais antigos sabiam fazer.
Naquela hora dona Diva ouve alguém a chamar, e ao virar-se vê a multidão sorrindo para si, e seu marido a abraçar aos prantos, então a mulher indaga o motivo daquele alarde e seu esposo entre rios de lagrimas conta que na estrada onde ela habitualmente passava, um deslizamento de terra havia acontecido, e pela demora da mulher, tinham temido pelo pior.
Dona Diva então sorri, olha para todos e diz que ela havia sido salva, salva graças a um tatu.
Muitas vezes Deus aparece em nossa vida e não entendemos, fato é que, ao tomar forma de tatu, foi para salvar a vida de uma fiel serva, dessa forma que ele age, nos salvando e nos guiando, nós que muitas vezes não nos damos conta quão perto ele está.

Nenhum comentário:
Postar um comentário