Antes de mais nada, devo dizer que: pessoas com problemas de coração, que sofrem de pânico ou simplesmente não suportam terror, que não leia esse conto.
Afinal, o que é um conto? Eu conto um conto, quando me contam algo, que juram ser verdade, mas alguém lhe contou, que jura ser verdade, pois alguém também lhe contou, jurou ser verdade, e assim sucessivamente. Então, se alguém jura ser verdade, quem tem o direito de dizer que não o é?
Matinhos, meados da década de 30, a cidade, alias, a vila, nada mais era do que meia dúzia de casas, casebres, uns bancos aleatórios no meio de uma rudimentar praça, uma modesta igreja, e um boteco, pois, pode-se faltar a igreja, mas o boteco jamais.
Em menos de 2 anos, 5 crianças após sofrer de uma desnutrição sem precedentes, acabaram vindo a óbito, apesar da precariedade vivida, esse numero era assustador, pois todas mães após ter seus filhos nos braços, não continuavam com eles, após algum tempo.
O que se dizia, é que a cobra caninana, adentrava na tapera onde repousava mãe e criança, colocava a ponta do rabo na boca do inocente, para o mesmo não chorar, e se deliciava do leite materno, dias a fio, ao mesmo tempo que a dita engordava deveras, a criança ia definhando até a morte o abraçar.
Em tempo, quase que junto ao inicio dessas mortes, mudou-se para cidade, uma senhora, nos seus noventa anos, ou mais, pouco mais de um metro e vinte de altura, corpo franzino e pele enrugada, logo, no entanto, os comentários de que se tratava de uma bruxa tomou ares de verdade e os olhares já eram de medo e assombro.
A madrugada era alta, todos dormiam, repentinamente um choro alto de criança se ouve, todos acordam, assustados, a rua é tomada por pessoas com velas e lampiões nas mãos, espingardas a tira colo, facões e facas, todos com olhares preocupados, murmúrios de orações e rezas.
Não havia crianças na vila, a ultima havia morrido no ultimo verão, de desnutrição, e desde então o medo tomara conta, e em plena madrugada um choro de criança soava como o prelúdio de coisas ruins.
Logo, a pequena multidão se aglomera na casa da velha senhora, gritando ofensas, bruxa, bruxa, um cachorro latia amarrado a casa, quando uma luz fraca de uma pequena vela ilumina a única porta, a senhora toda de branco, assustando os mais fracos, aparece e com olhar sereno fala ao povo, o que fazem a minha porta? E o povo continua bradar, enquanto o cão late, nisso, um choro ainda mais agudo de criança ecoa, vindo da pequena casa, como que em conversa entre os sons, seguido ao choro da criança, ecoa o disparo de uma arma de fogo e a velha mulher é atingida em cheio, conforme o corpo tomba, olhando o vazio,
O homem que efetuara o disparo vê a multidão o olhar, todos assustados, apesar dos pesares, não se tratava de uma bruxa, e olhares de pena agora eram unidos aos de medo.
Nisso, um vento sopra das montanhas e a lua aparece viva, a noite se ilumina como dia e após um breve gemido de agonia, a velha vai mudando de cor, e o corpo vai se esticando, tomando forma, em menos de meio minuto, diante dos olhares incrédulos, o corpo franzino se transforma em uma cobra de quase dois metros de comprimento que se debate, até que um dos moradores, fulmina com um golpe de facão na cabeça.
Na multidão, o homem que atirara, ainda com a arma fumegando nas mãos, não crê no que vira, e assustado ainda olha quando o corpo do animal vai ressecando, como se a vida lhe fosse sugada, e logo depois, apenas um amontoado de pó resta para contar historia.
Da porta do casebre, surge uma mulher com uma criança nos braços, chorando ao mesmo tempo que o marido solta a espingarda de caça e a abraça.
Ninguém entende, e ela após um copo de água com açúcar conta:
“escondi minha gravidez, tive medo de que meu bebe fosse acometido dessa doença maldita que matou todos as crianças da cidade, e por isso, me retirei, dissemos, meu esposo e eu que eu iria para Guaratuba passar uns dias com minha mãe, essa senhora, dona Emerinda, sentiu que eu estava grávida, por isso nos procurou e disse que poderia evitar o pior, ia fazer uma reza e com isso a maldita cobra não atacaria nossa casa. Meu filho nasceu pelas mãos dela, nessa noite, só que quando ele ia mamar, a maldita se transformou em cobra, ia me matar, mas meu anjo sentiu que a mãe dele corria perigo e gritou, um bebe recém nascido com força para gritar como gente grande, isso foi Deus, um milagre para nos livrar desse diabo”.
Ao fim do relato, pessoas choravam, outras rezavam, do leite materno a diaba retirava não só o alimento, mas sugava a vida das crianças para si, e vivia por anos e anos, talvez a velha tivesse 200, 300 anos.
Um homem descalço então olha para o colega e comenta, o erro da maldita foi q
uerer fazer mal a mãe da criança, graças a isso o filho salvou sua mãe, e agora estamos todos salvos.
E daquele dia em diante, crianças viveram, cresceram e foram felizes para sempre, até os dias de hoje.

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