Conforme eu envelheço, perco a agilidade dos meus 15 e tantos anos, sinto-me perder acima de tudo, as memórias de um passado distante, que na verdade nem vivi, mas ouvi, tomei para mim, conforme eu, nativo do altivo litoral, Matinhense de todas as gerações, me sinto então, no dever de não dever nada aos meus filhos, por isso, retrato aqui uma historia que me foi passada de pai pra filho, e os meus terão o direito de conhecê-la.
Não é de hoje que a imaginação infantil é o maior criador de historias e causos, capaz de florear qualquer deserto e dar luz ao mais profundo dos abismos. Em matinhos, em meados da década de 60, uma família morava lá pras bandas da praia dos pescadores, onde hoje é o centro da cidade, casinha de tapera, galinheiro no quintal, dois cachorros deitados erguendo vez ou outra a cabeça ao sentir presença humana, um coleiro cantador em uma gaiola pendurada na parede da casinha. Dos 8 filhos, três em idades quase próximas, o mais velho com seus 14 anos, uma menina de 12 e um mais novo com 6 ou 7 anos na ocasião.
A renda naquela época era baseada na pesca, caça, lavoura, uns poucos eram funcionários públicos, mas a grande maioria se virava como podia, mas viviam bem e eram felizes.
As três crianças em questão, como não se pode duvidar, também tinham seus gastos, e diante disto, precisão de dinheiro. Após inúmeras tentativas de ganhar dinheiro, venda de suco de limão, ajudar a puxar canoa, venda de limões, os restantes do suco, e outras tantas, estavam cabisbaixos naquela tarde quente de março, aos pés de uma goiabeira, quando uma senhora, nos seus mais de 60 anos, se aproxima e ao indagar a tristeza do trio, obtém a resposta sobre a crise financeira pela boca do mais novo com olhar triste e profundo.
A renda naquela época era baseada na pesca, caça, lavoura, uns poucos eram funcionários públicos, mas a grande maioria se virava como podia, mas viviam bem e eram felizes.
As três crianças em questão, como não se pode duvidar, também tinham seus gastos, e diante disto, precisão de dinheiro. Após inúmeras tentativas de ganhar dinheiro, venda de suco de limão, ajudar a puxar canoa, venda de limões, os restantes do suco, e outras tantas, estavam cabisbaixos naquela tarde quente de março, aos pés de uma goiabeira, quando uma senhora, nos seus mais de 60 anos, se aproxima e ao indagar a tristeza do trio, obtém a resposta sobre a crise financeira pela boca do mais novo com olhar triste e profundo.
A velha senhora de aspecto sóbrio e cabelos brancos como a neve, uma renda negra cobria o cabelo e metade do rosto, se aproxima ainda mais, os observa por algum tempo e então propõe; querem ganhar dinheiro? Eu tenho um trabalho para vocês, tragam todos os dias, em minha casa antes das 8 da manhã, morcegos, vivos, e eu lhes darei o dinheiro.
Os três trocam olhares, assustados, do mais novo ao mais velho, conforme a velha vai se afastando, eles caminham por uma ruazinha de terra, não olham pra traz, até que o mais novo sai em correria, sendo imitado pelos demais, que só param ao chegar em casa.No entanto, ao entardecer daquele mesmo dia, as crianças munidas de coragem desumana, saem na caça do novo ouro de Matinhos.
Como se caça morcego? Uma vara de bambu grande e extremamente fina na ponta, escolhe-se um local com grande quantidades do animal, então agite a vara no ar com força, o resto ocorre de forma natural. Em menos de meia hora, 9 morcegos são apanhados e postos em uma gaiola, a menina se incumbe desse trabalho, auxiliada por uma folha de sombreiro pois a falta de dinheiro não é maior que o nojo.
No outro dia, cedinho, eles vão até a casa da velha senhora, ela já os espera no portão de casa, apanha a gaiola e entrega o dinheiro ao menino mais velho, se vira e começa a voltar pra casa, os meninos vão embora, e começam a correr quando ao fundo ouvem, ou pensam que ouvem uma gargalhada estridente.
O comercio dura uns dois anos, não é trocada uma só palavra entre as crianças e a velha senhora, em suas mentes infantis mil e um pensamentos sobre o que a senhora fazia com os animais, a chamavam de bruxa, feiticeira, no entanto era só preconceito infantil infundado, quem sabe.
Era um domingo, apesar de 18 morcegos aprisionados, são impedidos de irem ao encontro da velha senhora, pois naquele dia, sua mãe insistia e os obrigava a irem a igreja, dessa forma, faltariam ao encontro marcado de mais de dois anos.
No outro dia, logo cedo, se arrancam para o encontro com a mulher do véu negro, ao chegarem, não encontram a mulher, como nos dias anteriores, aguardam por algumas horas, quando estão cansados da espera,se deparam com um envelope preso no mourão da velha porteira, abrem e encontram o dinheiro respectivo pelos morcegos apanhados, ao mesmo tempo em que um homem todo vestido de branco surge como fantasma e diz:
Não a procurem mais, pois ela morreu no domingo.
As crianças então correm, de volta pra casa, dinheiro em mãos, medo aflorando, sem entender, e com uma preocupação na cabeça, o que fariam agora para ganhar dinheiro...
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